Reflexões de uma vida falida

meu folderNão sei se é com todo mundo, mas comigo está acontecendo de eu ficar com vontade de voltar ao tempo, quando eu aínda era novo e nada aínda não havia acontecido de tão sério. Pessoalmente não vale a pena lutar por nada nessa vida, pois nenhum esforço que eu fiz resultou em vitória!

O grande fracasso da minha vida foi por inevitavelmente eu ter dependido de outra pessoa pra ser feliz. Eu não pude convencer ou fazer um homem ficar comigo. Por quatro vezes foi assim.

Está um dia bonito, temperatura agradável e chovendo, uma vontade de viver, mas… vou viver o quê!? É uma vergonha pra sociedade brasileira que eu, tão jovem, na faixa dos 20, deseje apenas morrer. Em plena juventude não posso namorar, transar, ter meu parceiro. Tudo porque um tal de masculinismo brasileiro não admite que transgêneros como eu são seres humanos e têm o direito de namorar, transar, ter seu(sua) parceiro(a), como todos os outros.

Agora só me resta o mesmo destino do meu pai: esperar meu problema de saúde se agravar para enfim morrer. Papai se adoentou por causa da Fátima e por ela ter levado a caçula que ele tanto amava. Flávio já está com as mãos sujas de sangue faz tempo!

Engraçado como eu falei, falei, falei, falei tanto praquele FDP entender, mas o masculinismo dele foi cem vezes maior do que qualquer sensatez. Nunca as pessoas me ouvem, é incrível! Parece que eu converso com as paredes, que eu falo em outro idioma, mas não é; as pessoas quem nunca me ouvem, tudo que eu falo entra por um ouvido e sai pelo outro.

Era tudo o que eu queria agora: morrer. Só isso, morrer! Eu já desisti dessa vida há muito tempo! Eu só quero morrer, pra ter que não lembrar que todos me odeiam sem motivo, que os homens me odeiam por eu ser mulher. Eu só quero amanhecer morto, só isso…


Talvez seja uma coisa que acontece com todo mundo que tem a vida acabada. Eu fico me lembrando do meu passado, quando eu era mais jovem, quando eu sonhava com um futuro recompensador de tudo o que eu havia sofrido.

O que eu mais fiz na vida foi batalhar para eu ter vida. Para poder fazer o que eu queria, que para os olhos dos “adultistas” daquela época, era besteira! Besteira era a vidinha medíocre deles, e por isso não queriam que sonhadores como eu tivessem o direito de viver essa vida em abundância que eu sonhava viver. O nome disso é megerismo!

Mas foi muita coisa: a minha mãe que queria me levar com ela, eu tive que lutar uma batalha desigual contra aquela merda de Juizado De Menores de Manaus. Aos 12 anos eu consegui parar de estudar porque aquele bando de trombadinhas me enchiam de bullying porque eu era o único estudioso da escola. O mais memorável era (me lembro bem o nome completo daquele marginal) o Alex da Silva de Almeida, que era um caboco aborrecente feio, gordo e mal-encarado. Hoje ele deve ser algum traficante de drogas bem-sucedido, já que nesse país é bandido quem se dá bem, não o cidadão de bem! 😮

Papai não era um demônio como a minha mãe, e não me forçou a frequêntar o colégio. Porém, ele também fez a cagada de me tirar a TV, pois foi por causa disso que eu tve a estúpida idéia de voutar ao colégio e lá começou a minha maldição no campo amoroso. Se eu não tivesse conhecido o Bruno Pablo, tivesse ficado pra sempre em casa na minha companhias verdadeiras que era TV e rádio, pelo menos teria certeza de que teria sofrido menos antes de não ter dado mais, quando em 2011 eu tava realmente ganado para ter relação.

Eu já sabia que a sociedade me odiava naquela época. O problema é que se passou mais de uma década e o país não mudou na-da — pelo contrário, PIOROU!! Aprendi que esse país é fachado de “sem nenhum tipo de preconceito”, mas na realidade o polvo continua com os mesmos masculinismos, homofobias e racismos de sempre!! Principalmente levando em conta que aqui na capital Manaus e estado do Amazonas é um dos locais mais atrasados do país. Nossa transmissão de energia elétrica aínda é suspensa por postes, a religião predominante é a evangélica e nosso polvo é pobre, burro e marginal. Todo final-de-semana sai tantos números de cabocos que beberam e mataram alguém esfaqueado. Os homens aqui são feios caboclos machistas e misóginos.

Engraçado que eu nunca gostei dos pardos daqui por causa disso! Só que o Flávio, apesar de ser branco, é paraense! Isso que me frustra, porque todo homem aqui sai “igual a todos os outros” de alguma forma!

O Flávio pode se arrepender de me ter conhecido, porque eu me arrependo 100 vezes mais de ter conhecido a sociedade manauense! Eu me arrependo de ter conhecido os homens, de ter tentado achar um que fosse excessão da regra, porque nesse caso não há excessões! Eu me arrependo de não ter ficado em casa com o papai pelo resto da vida. Eu me arrependo até pelo dia de eu ter nascido! Só que aí não é culpa minha, é dos meus pais!

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Publicado em quinta-feira, 24 janeiro 2013, em Eu, Homens, Homofobia, Machismo, Masculinismo, Misoginia, Sociedade brasileira, Transfobia e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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