Reflexões da minha vida escolar

Made In HeavenNesta semana eu fiquei sem tempo para postar, resolvendo problemas de matrícula escolar. Durante isso, inevitável me lembrar do passado, como foi meu colegiado. Eu sou o tipo que dá muitíssimo valor ao passado, em como dei cada passo. Pra mim, cada passo que você dá, e a forma como dá esse passo, faz a diferença, para que no futuro você tenha prazer em lembrar no que você foi. É assim que eu sou, um sonhador! Prazer em conhecer!

Nesse “o que você foi”, está: se você foi especial, se você foi um diferencial na sociedade, se você foi importante para a História.

Eu sei que para os marginais que tive o desprazer de terem sido meus colegas de colégio, tudo isso é besteira. Mas para marginal, o que não é besteira? Drogas? Rede Globo? Malandragem de rua?

Eu tentei ser tudo isso, e o resultado saiu:

1) Eu fui especial, e até demais! A única que não era marginal e que tinha cérebro e vontade de estudar! Tanto que os meus colegas me viram como doida! ¬¬ Mas os professores me viram como uma aluna inesquecível!

2) Me tornei um diferencial na sociedade, mas não da forma como eu queria. Em vez de eu ter inspirado os outros, acabei me tornando o único que não namorou, não teve amigos de verdade, não teve uma turma. Também minha intelectualidade não deu nenhum fruto: até hoje a sociedade a exclui do meio em vez de desfrutá-la!

3) Só fui importante pra mim mesmo! Pro resto da sociedade, eu fui um “troço estranho” no meio do caminho!

Enfim, eu não namorei, não tive uma turma, não vivi “grandes aventuras”. Não vivi grandes aventuras porque não sou homem, sou um trans! Essa sociedade é muito podre: ela se acha no direito de decretar que quem tem vagina não pode ter direito de ter uma turma e viver grandes aventuras! Viver socialmente como homem no colegial, então, nem pensar! E o que eu mais me pego me lamentando é que eu não namorei! Porra, que torturante, não é culpa minha! Não teve um filho da puta que me quis porque TODOS eram gentalhas! Até hoje é assim! Nada muda em Manaus – nenhuma novidade!

Impressionante é que eu gosto de lembrar do meu passado! É só porque as coisas eram menos piores do que são hoje! Interessante como a sociedade brasileira fez minha vida assexuada passada ser tão melhor do que minha vida pós-desvirgem! Só mesmo um país de tolos como o Brasil, onde bandido tem mais direito do que cidadão de bem e futebol tem mais importância que saúde e educação!

Eu daria tudo pra voltar ao passado e ser virgem de novo! 😥 (É só esse tipo de escolha chula que a sociedade me dá!)

Se tem alguma coisa que eu faria diferente? Seria não ter frequêntado aquela escola na 6ª série (7º ano), pra não ter conhecido o Bruno Pablo! Somente! Foi ele o responsável, quem começou a minha maldição! Se eu sou mais feliz sozinho, porque todo homem é idiota, que tivessem me administrado castração química, e ao menos tivesse tido um grupo não-gentalha pra ter sido minha turma!

Por isso que eu falei pro servidor público que eu não tô nem aí se eu vou demorar até 2015 pra completar o ensino fundamental: minha vida é uma merda mesmo! Tanto faz! Nunca vou me casar mesmo! Pressa pra quê mesmo!? Provavelmente eu até desista no meio do caminho!

Isso que eu me lamento, de eu ter sido um grande sonhador, e não ter podido colocar nenhum sonho em prática! Até hoje sendo assim! Eu não sei se me lamento por ter sido um sonhador, pois o sonho tá no meu ser. Talvez eu lamente por ter nascido no Brasil, aonde a sociedade gosta de destruir os sonhos dos outros e jogá-los na lata do lixo!

Diante de tanta lamentação, o que fazer? Um paraense muito retardado me disse que era pra eu fingir que nunca aconteceu! O que fazer então? Beber cerveja na esquina mais próxima?

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Publicado em sábado, 20 julho 2013, em Eu, Sociedade brasileira. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Seu texto também me fez lembrar da época de escola. Não tenho nada de muito legal a relatar. Eu era uma criança esquisita (física e psicologicamente), depressiva e tinha(tenho) fobia social. Estava constantemente observando as pessoas (e não gostava do que via). Justamente por isso eu não tive amigos na época da escola, o máximo que tive foram pessoas que lembravam da minha existência quando precisavam de alguma coisa. Consegui passar todos os anos de escola sentando-me no mesmo lugar e entrando calada e saindo muda, sem me aproximar de ninguém e vice-versa. Mas de uma coisa eu nunca me esqueci: meus mestres. Alguns me marcaram para a vida. Lembro-me de uma professora (da 6ª a 8ª série) de Geografia Crítica, na qual ninguém conseguia tirar nota maior que 5. Em meados da 8ª série eu acabei tirando nota máxima numa prova dela. Eu nem fazia ideia da minha nota. Ela entregou as provas de todos, mas deixou a minha por último e leu a nota em voz alta, veio até mim e me cumprimentou. Eu nem acreditei. Mas o que me marcou não foi isso, foi o que ela falou pra mim depois. Ela se apoiou na minha mesa, me olhou e me disse (todo mundo tava olhando pra mim): “a partir de hoje, você nunca mais vai aceitar que ninguém aqui peça pra fazer trabalhos com você. As pessoas aqui só lembram de você pra isso, e, a partir de agora, você não vai deixar mais NINGUÉM se aproveitar do seu esforço. Se se sentir sobrecarregada, EU estou aqui”. O ódio que os outros alunos sentiam por mim triplicou, mas, quer saber? Eu ADOREI. Houve mais duas ocasiões que também me marcaram muito com meus mestres, mas esta é a de que mais me lembro. Também não namorei. Quem ia se interessar por alguém como eu? Nem eu mesma. Vim começar a me relacionar com as pessoas depois de estar trabalhando e fazendo faculdade, já que é algo inevitável nessas situações (o que foi e ainda é MUITO difícil pra mim, por causa da minha fobia social). Mas acho que prefiro minha vida de agora. Só o que me faz falta de antigamente são mesmo os meus professores. Hoje ainda é extremamente difícil fazer amizades, as pessoas não são confiáveis. Mas sempre existem aqueles “uns” em um milhão. E acho que você é um, viu? Por que eu gostei de tropeçar em você aí pela internet e descobrir como você é uma pessoa interessante com pensamentos e opiniões interessantes! 🙂

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