Dia da Consciência Negra no atual Brasil neo-direitista

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Hoje o Dia da Consciência Negra tem uma conotação e quadro diferente nos últimos anos. Hoje o Brasil vive um consciente coletivo de “moda” direitista, aonde agora “lindo” é ser direitista, conservador, provinciano (pesquise no Google o significado), ser mais atrasado do que a população brasileira de 20 anos atrás. Pessoas hoje com o QI baseado em páginas direitistas de Facebook, pessoas que acham que estão sendo “progressistas” seguindo machismo, homofobia, transfobia e racismo, ideais caducos de 20 anos atrás, mas que hoje tentam se disfarçar em pele de “novo”, sob desculpa de raciocínio infantil que o esquerdismo estava “moda chata demais” ou “moda longa demais”, como se o que fosse melhor pra sociedade tivesse “prazo de validade” ou que tivéssemos necessidade de viver gangorra de troca de ideais. Isso é coisa de sociedade que ainda não aprendeu a pensar sozinha, por conta própria. Isso é coisa de… brasileiro!
Mas mesmo há 20 anos atrás, ou mais ainda, o racismo era repudiado. Ao menos os racismos mais visíveis. Músicas com conteúdo racista eram abominados – Tiririca quase foi preso por uma música que fez cuja letra mencionava mulher negra “que não toma banho” e “fede”. Uma edição da revista Nova Escola na época expôs práticas de racismo, até mesmo os sutis. O interessante é que atos racistas existiam, mas eram muito mal-vistos/reprovados pela sociedade em geral e eram combatidos. Muito diferente de hoje, aonde existe agora um “choradeira” do racista, com lábias ardilosas de “derrubar aviões” pra blindar e defender o racismo. Racistas “chorando” direito de ser racista, racistas “chorando” por “liberdade de expressão” pra praticarem racismo (como se liberdade de expressão fosse aval pra fazer qualquer porcaria que viesse à mente – a própria liberdade tem um limite e os direitistas tentam ignorar isso), racistas tentando inventar “orgulho branco”, e até mesmo tentando convencer as pessoas da existência de “branco oprimido”, que já roça à demência. Já há lábias embusteiras dizendo que “não existe negro, índio ou branco, só brasileiro” (pra apagar o discurso sobre racismo) e imagens de “humor” racista circulando no WhatsApp, aonde pessoas que contestarem serão tidas como “chatas” ou que “não sabem brincar”. Na atual situação que estamos, a coisa está tão extrema que não tardará pra que projetos de lei de “dia da consciência branca” apareçam no Congresso Nacional e sejam aprovados (já surgiram lei da “cristofobia” e da “heterofobia”).
As táticas de botar em prática o racismo, introduzir o racismo na população, se tornaram mais sutis e quando não, com argumentos de coitadismo do racista, inclusive com petulâncias do tipo “ditadura do oprimido” do “negro que reclama demais” ou está “vendo racismo em tudo” (tática do apelo à neurose do oprimido). Tudo isso é reflexo de lutas da causa negra, aonde os racistas, tentando dar sobrevida ao racismo, buscam novas táticas, novas formas de domínio, novos argumentos, novos embustes.
Numa sociedade que progride intelectualmente, tais táticas novas em breve serão desmascaradas e refutadas, e o racismo sofrerá uma nova derrota, só que mais humilhante ainda, pela sua ousadia de tentar voltar. Mas no caso do Brasil, aonde as pessoas passaram a odiar pensar em pensar (olha a redundância!), isso tudo é visto até como intelectualidade, como avanço, e vira moda! E quem ousar contestar moda no Brasil é tido como “chato”, de “cabeça difício” e/ou que “reclama de tudo”.
Por isso que ultimamente pessoas negras públicas como a jornalista Maria Júlia Coutinho e a atriz Taís Araújo sofreram ataques racistas de vários trolls pela internet. Não foi à tôa, era mais do que esperado que isso acontecesse perante a situação maluca política que vive o país, nessa ascenção neo-direitista! Racistas estão voltando a ficar com coragem de praticar suas imundícies racistas porque a população de hoje acreditou que racista é coitadinho, que racista tem direito de ser racista, que racista sofre opressão do oprimido (tática de transformar o opressor em oprimido e vice-versa) e até que ser contra racismo é “petismo”. Aliás, como houve uma desqualificação do esquerdismo, aonde inventaram que coisas de esquerda é feio, bobo e com cara de mamão, daí o inverso, o direitismo (o racismo vem no pacote) virou “coisa boa” — fruto da falta de capacidade (e de vontade) do brasileiro de pensar (e de separar partido de ideologia/filosofia política). Daí o resultado e quem paga são as vítimas, como sempre!
Por isso o dia da Consciência Negra de hoje é mais reivindicação do que rememorização, pois a sociedade brasileira retrocedeu mais de 20 anos, todo mundo se esqueceu o quanto o racismo é uma merda e o bullying racista voltou! Tipo, vamos ter que lutar tudo de novo! Vamos ter também que aprender com essa situação, que não basta trabalhar pra expurgar o racismo: também precisamos fazer o brasileiro passar a ter memória e passar a pensar, pois não adianta ficar num círculo viscioso aonde todo mundo entende porquê racismo é uma merda, e depois todo mundo esquece e passa a achar que o racismo é “da hora” porque a sociedade “esquerdou” demais!

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Publicado em sexta-feira, 20 novembro 2015, em ativismo político, burrismo brasileiro, burrismo institucionalizado, Conservadorismo, Credulidade brasileira, direita, direitistas, Manipulação, Política, Racismo, Sociedade brasileira. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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